Download MacauHub mobile app (iOS version)


Download MacauHub mobile app (Android version)


Cooperação chinesa começa a chegar a São Tomé e Príncipe

Pouco mais de um mês após o restabelecimento de relações diplomáticas entre São Tomé e Príncipe e a República Popular da China, a cooperação chinesa começa a chegar ao arquipélago, num processo visto como de importância estratégica por analistas do relacionamento sino-africana.

Desde a semana passada, ao abrigo do acordo bilateral no sector da saúde assinado logo depois do restabelecimento, em Dezembro de 2016, de relações diplomáticas entre os dois países, uma equipa médica chinesa está a trabalhar em centros hospitalares do arquipélago.

O chefe da missão chinesa, Wang Jun Quiang, afirmou ao MacauHub que a equipa de diversos especialistas terá uma missão de seis meses, apoiando o maior centro hospitalar de São Tomé, Ayres de Menezes, e outros centros de saúde do arquipélago.

O sector da saúde, juntamente com a agricultura, energia e infra-estruturas, são as prioridades no processo de definição das áreas para o programa quadro de cooperação, cuja assinatura prevê-se para breve bem como a abertura de representações por embaixadas, em Pequim e em São Tomé.

O director-geral do Departamento da Ásia Ocidental e África do Ministério do Comércio da República Popular da China,  Zhou Zhaoming, esteve recentemente no arquipélago à frente de uma delegação pluri-ministerial chinesa, tendo-se reunido com o primeiro-ministro Patrice Trovoada.

A missão surgiu poucos dias depois da empresa China Road & Bridge Corporation (CRBC) ter manifestado interesse em participar nos projectos que visam a construção de um porto de águas profundas com um custo estimado em cerca de 800 milhões de dólares e a modernização do aeroporto internacional de São Tomé, que deverá custar 15 milhões de dólares.

Com um custo estimado em cerca de 800 milhões de dólares, o primeiro porto em águas profundas do país deverá ser construído na zona de Fernão Dias, distrito de Lobata a 12 quilómetros da capital.

São Tomé e Príncipe e a República Popular da China restabeleceram relações diplomáticas a 26 de Dezembro último em detrimento de Taiwan que cooperava com o arquipélago nas mesmas áreas com um apoio monetário estimado em 16 milhões de dólares anuais.

O restabelecimento das relações diplomáticas vai, de acordo com o novo secretário-geral adjunto do Fórum Macau, Ding Tian, possibilitar a reunião de todos os países de língua portuguesa no organismo.

A futura integração de São Tomé e Principe fará com que “toda a família que fala português fique reunida”, disse Ding ao jornal Tribuna de Macau.

Após o restabelecimento de relações entre os dois países, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, proclamou que o seu país está “disposto a providenciar apoio ao desenvolvimento económico e social de São Tomé e Príncipe, dentro das suas capacidades.”

A Harvard Politics Review, em artigo recente, considera o novo elo são-tomense exemplo do dinamismo da relação promovida pela China com o continente, que retira “benefícios económicos”, tal como os sectores público e privado chineses, que asseguram contractos e matérias-primas.

Outros benefícios não quantificáveis destas abordagens, afirma no mesmo artigo Yong Deng, professor da Academia Naval norte-americana em Annapolis, incluem a ascensão da China ao “estatuto de grande potência”, para o qual África “traz uma enorme quantidade de peso diplomático na mudança da influência política e diplomática de uma ordem global dominada pelos Estados Unidos e pelo Ocidente.” (Macauhub)

Compartilhe esta notícia:
  • Facebook
  • Twitter
  • LinkedIn
  • Print
  • email
  • RSS

Notícias relacionadas:

  1. Equipa médica da China em São Tomé e Príncipe para prestar cuidados de saúde
  2. República Popular da China e São Tomé e Príncipe restabelecem relações diplomáticas
  3. São Tomé e Príncipe e China definem áreas de cooperação
  4. Câmara de comércio de São Tomé e Príncipe vai assinar acordo com associação de cooperação de Taiwan
  5. China abre “representação de ligação” em São Tomé e Príncipe