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Macau com papel a desempenhar no “ano do renminbi em África”

Países africanos como Angola e Moçambique procuram alternativas aos escassos dólares norte-americanos, levando alguns analistas a decretar 2016 o “ano do renminbi em África”, no qual Macau pode ter um papel importante.

Em artigo recentemente publicado no site do Council on Foreign Relations, o consultor financeiro especialista na África subsaariana John Casey defende que o “já não é certo o domínio do dólar” nesta região em que se inserem Angola e Moçambique, e que o ano que agora começa será de “solidificação do papel do renminbi em África”.

Apesar da atual volatilidade, o momento é “auspicioso para a moeda chinesa desafiar a hegemonia do dólar” em África, onde os países produtores de crude lutam contra o “dizimar” das reservas estrangeiras em dólares, ligado à descida do preço do petróleo, afirma Casey.

Como observado no caso de Angola e Moçambique, que têm sem sucesso tentado travar a forte depreciação das suas moedas, reservas estrangeiras mais baixas diminuem a capacidade de atuação dos bancos centrais para apoiar a cotação das suas moedas e dificultam a repatriação de lucros pelas empresas estrangeiras.

Outra razão apontada por Casey para afirmação da moeda chinesa é a criação do Banco Asiático de Infraestruturas e do Novo Banco de Desenvolvimento (ex-banco dos BRICS), instituições rivais das baseadas no dólar (Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial), que “concebivelmente em breve passarão a ser baseadas no renminbi”.

Além disso, afirma o consultor, as relações da China com os países africanos são mais diversificadas e “mutuamente benéficas” do que as mantidas pelas instituições norte-americanas.

China e Angola assinaram em agosto de 2015 um acordo oficial que permite a reciprocidade no uso das moedas de ambos os países, o que foi interpretado pela Economist Intelligence Unit como um resultado da “esperança” angolana de que o maior uso do renminbi diminua a necessidade de dólares.

Para o banco português BPI, este acordo permite “colmatar a falta de dólares”, necessários para pagar as importações, mas o efeito em termos cambiais deverá ser tendencialmente nulo.

Yao Jian, subdirector do Gabinete de Ligação do governo central em Macau, revelou na semana passada que a Região Administrativa Especial vai ter um papel na implantação africana do renminbi, com o apoio do governo central da China para que se transforme numa plataforma bancária de “clearing” da moeda chinesa, entre a China e os países de língua portuguesa.

Falando num seminário sobre a promoção dos serviços em renminbi, para os mercados de língua portuguesa, Yao Jian disse que a China pretende que Macau seja não só uma plataforma de contactos económicos e comerciais com o mundo lusófono e um centro mundial de turismo mas também uma plataforma financeira para a promoção de serviços na moeda chinesa.

No seminário, o subdirector do Banco da China (BOC), Wang Jun, disse que o BOC já possui serviços em renminbi com 35 bancos de seis países de língua portuguesa que representaram 7,6 mil milhões de renminbi em 2015, mais 15 por cento do que em 2014.(macauhub /CN/MO/AO/MZ/CV/TL/ST/GW)

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