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Portugal quer repetir em Moçambique “relações intensas” com Angola

Portugal mostra interesse em repetir em Moçambique o modelo de “relações intensas” que tem mantido com Angola, embora tenha ainda “muito trabalho a fazer” para atingir esse objectivo, afirma o analista português Pedro Seabra.

No recente artigo “Portugal e Moçambique: Emulando o Modelo Angolano”, para o Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS), Seabra afirma que ambos os países estão “a prestar mais atenção ao potencial inexplorado da sua parceria bilateral”, desde a obtenção do acordo para a transferência da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) do controlo português para moçambicano.

“As primeiras indicações permitem já uma medida de optimismo cauteloso” em relação ao objectivo de intensificar as relações económicas com Moçambique até ao nível intenso das que ligam Portugal a Angola, defende.

Exemplo, adianta Seabra, é o estabelecimento de cimeiras bilaterais regulares a alto nível desde 2011, cujos resultados têm vindo a ser avaliados positivamente pelos dois governos.

O comércio bilateral também está em alta, tendo as exportações portuguesas para Moçambique crescido mais de 25% nos últimos cinco anos, enquanto as importações subiram acima de 17%.

O sector moçambicano de energia “vai certamente atrair o maior interesse”, afirma Seabra, dado que o acordo sobre Cahora Bassa pressupõe a participação activa da empresa portuguesa de redes eléctricas REN, que tem como principal accionista a China Grid, em projectos locais de expansão.

Nos próximos anos esperam-se ainda “investimentos maciços” da petrolífera Galp Energia na exploração de gás natural em Moçambique, adianta.

A intensificação das relações é também visível ao nível da emigração de portugueses para Moçambique, com aumento de pedidos de vistos e, tal como em Angola, também de problemas na sua emissão.

“De modo geral, são inegáveis as crescentes semelhanças entre a relação de Portugal com Angola e com Moçambique”, afirma Seabra.

“Ainda assim, enquanto um [Angola] está actualmente no topo dos destinos prioritários para os investimentos e exportações portuguesas, o outro ainda está numa fase muito inicial”, adianta.

Para Seabra, ainda há “muito trabalho a fazer” até Lisboa estar tão próximo de Maputo, economicamente falando, como de Luanda.

“Mas a falta de pedras no sapato como o assunto da barragem de Cahora Bassa certamente dá confiança de que o contexto político favorável criado pela última cimeira vai ser capitalizado em termos de contactos bilaterais mais próximos e múltiplas oportunidades de negócio a curto e médio prazo”, defende o analista. (macauhub)

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