Londres, Reino Unido, 26 Jan – A área cultivada em Moçambique aumentou 47% na última década, um ritmo “impressionante” para a Economist Intelligence Unit, mas a quantidade de terras aráveis disponíveis ainda está subaproveitada devido à falta de infra-estruturas e capacidade de investimento.
Dados do último censo agrícola no país, feito pelo Instituto Nacional de Estatísticas de Moçambique, apontam que em 2009-2010 a área total cultivada era 47% superior ao registado uma década antes, um ritmo de crescimento quase duas vezes superior ao da população.
No seu mais recente relatório sobre Moçambique, divulgado em Janeiro, a EIU sublinha ainda que o número total de explorações agrícolas cresceu menos do que a área cultivada, 25%, mostrando um aumento no tamanho mais do que no número de unidades produtivas.
“Apesar de um crescimento tão impressionante, Moçambique ainda mantém um grande excedente de terras”, estando apenas em uso 15,6% dos terrenos potencialmente cultiváveis, adianta.
Por trás deste falta de aproveitamento, afirma, está a “ausência de investimento em infra-estruturas associadas à agricultura, como estradas, irrigação e unidades de armazenagem”.
Para a EIU, outro obstáculo é o sistema moçambicano de arrendamento aos agricultores de terras detidas pelo Estado, que os impede de usar este activo como garantia para obter financiamento bancário.
A agricultura foi definida no último Orçamento de Estado moçambicano como um sector prioritário, estando-lhe destinados 11,6% do total de despesas em 2012.
O governo de Moçambique prevê investir, nos próximos dez anos, cerca de 540 milhões de dólares na irrigação, como forma de impulsionar a produção e a produtividade agrícolas no país.
Está em curso ainda um programa de cadastro agrícola que visa identificar com precisão as zonas com potencial agrícola permitindo um melhor planeamento da utilização da terra.
Para aumentar a auto-suficiência agrícola do país e as receitas dos agricultores, estimulando a produção de excedentes, o governo conta com parceiros como a China, Brasil e União Europeia.
De acordo com a EIU, a subida da produção agrícola, a par da descida dos preços dos bens alimentares a nível internacional, deverá permitir uma descida da taxa de inflação para 6,5%, em média, nos próximos anos.
A EIU prevê uma aceleração contínua do crescimento em Moçambique, de 7,2% em 2011 para 8% este ano e 8,5% no próximo, abrandando depois até 7,5% em 2015.
A sustentar o crescimento económico está a expansão da indústria mineira, em particular o carvão, mas as previsões estão sujeitas à manutenção dos fluxos de investimento internacionais, algo incertos devido à actual conjuntura negativa nas economias desenvolvidas. (macauhub)
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