Lisboa, Portugal, 27 Dez – A entrada da China Three Gorges Corporation (CTG) na portuguesa EDP, um investimento de 8,7 mil milhões de euros, é vista como importante injecção de capital e confiança na economia, numa altura em que Portugal atravessa uma crise prolongada.
Após o anúncio da vitória chinesa, que representa o maior investimento chinês de sempre em Portugal e torna a CTG no principal accionista de uma das maiores empresas portuguesas, a bolsa de valores reagiu em alta, nomeadamente os títulos dos bancos, enquanto o negócio era saudado em editoriais dos jornais de referência.
Para o Jornal de Negócios, “foi um ‘jackpot’ para a EDP e para o Estado” pois a operação “traz aquilo de que ambos mais carecem: capital”.
“E o dinheiro chinês que agora entra na empresa é o mesmo dinheiro que a União Europeia e o FMI foram mendigar há semanas para alavancar o Fundo de Estabilização da Zona Euro. Foi um vexame: a senhora Lagarde e o senhor Regling levaram tampa”, enquanto “Portugal fechou negócio”, refere o editorial.
O Diário Económico, optou por titular em caracteres chineses o seu editorial, em que defende que o primeiro ministro Passos Coelho “ganhou a credibilidade e independência, desde logo internacional, tantas vezes questionada pelos alinhamentos, às vezes acríticos, com as posições de Merkel nas escolhas europeias”.
Quanto ao facto de o capital ser chinês, este “está no mundo, nos EUA, no Brasil, em todos os mercados desenvolvidos”, adianta.
Também para o “Público” o Governo “fez bem, porque a EDP tem com a proposta chinesa o seu horizonte estratégico garantido e porque, com tanto cinismo e despeito vindos da Europa, é importante que Portugal consiga abrir novas portas nas suas relações económicas”.
Para o Diário de Notícias é agora claro que as privatizações dos próximos tempos não vão ficar em mãos portuguesas e o negócio CTG mostra que “os reflexos da ascensão económica e financeira da Ásia, à escala global, chegaram às praias lusitanas”.
Para a imprensa portuguesa, foi sobretudo a envergadura da oferta da CTR para adquirir os 21,35 por cento da EDP que permitiu bater os brasileiros da Eletrobrás e os alemães da E.On.
A venda da participação dá ao Estado português um encaixe de 2,7 mil milhões de euros, mas a operação envolve mais investimento e financiamento num montante ascende a 8,7 mil milhões de euros no seu todo.
O plano da CTG prevê que passe a investir em conjunto com a EDP em novos projectos no mercado brasileiro, mas sem afectar a composição accionista da EDP Brasil.
A secretária de Estado do Tesouro e Finanças, Maria Luís Albuquerque, esclareceu, após a conferência de imprensa do Conselho de Ministros, que “a EDP fica intocada no Brasil”, porque a China Three Gorges apenas entrará em alguns projectos.
Segundo a EDP, o negócio vai permitir reforçar a sua liquidez, que actualmente se situa em 4 mil milhões de euros, para um valor ajustado de 8 mil milhões de euros, o que permite “melhorar o perfil de crédito” e reduzir o endividamento, para um valor equivalente a menos de 3 vezes o EBITDA, quando o rácio actual supera quatro vezes.
Numa apresentação enviada ao regulador do mercado de capitais, a EDP sustenta que irá manter a sua identidade, que continuará a ter no “core business” a actividade na Península Ibérica, Brasil e energias renováveis.
O banco BCP foi impulsionado pela notícia do “Público” de que um dos temas mais abordados entre o Governo português e o chinês é a eventual entrada de um banco da China no capital do BCP.
Também o BES, que foi um dos assessores da CTR no concurso, teve um desempenho em bolsa que se destacou dos restantes bancos, nacionais e europeu.(macauhub)
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