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Sector não-petrolífero de Angola impulsiona crescimento acima da média regional

Lisboa, Portugal, 14 Fev – A economia de Angola deverá crescer este ano acima da média regional, beneficiando da recuperação dos preços petrolíferos, mas sobretudo da retoma dos investimentos em infra-estruturas e restante sector não-petrolífero, de acordo com o banco BPI.

No mais recente relatório sobre as perspectivas para a economia angolana, o BPI prevê para 2011 um crescimento económico de 6,9 por cento este ano, um ritmo três vezes superior ao do ano passado, mas abaixo das mais recentes previsões do Fundo Monetário Internacional (7,5 por cento) e do governo (7,6 por cento).

O crescimento “será suportado por uma recuperação do sector não-petrolífero”, cuja actividade beneficia de “um reforço dos investimentos em infra-estruturas chave, particularmente por parte do sector privado, que havia sofrido algum retrocesso nos últimos meses”, escrevem os analistas do banco português, que controla o principal banco privado angolano, o Banco de Fomento Angola.

Este retrocesso relaciona-se com os atrasos dos pagamentos do Estado a algumas empresas privadas, mas também com uma menor propensão ao investimento por parte dos investidores estrangeiros, de acordo com o relatório.

O sector não-petrolífero deverá crescer este ano 10 por cento, aumentando gradualmente o seu contributo para o PIB angolano.

Com base numa produção média de 1,9 milhões de barris de petróleo diários, acima dos 1,86 milhões de 2010, o sector petrolífero deverá crescer 2,2 por cento, segundo a mesma fonte.

“2011 adivinha-se um ano de consolidação da recuperação económica desenhada ao longo de 2010”, com “taxas de crescimento acima da média da região”, afirmando-se o sector não-petrolífero como “motor alternativo de crescimento”, escreve o BPI.

A aceleração da economia está a criar pressões inflacionistas e em 2010 a inflação foi de 15,31 por cento, acima do objectivo de 13 por cento, e este ano apresentam-se como reduzidas as possibilidades de cumprir o objectivo de 12 por cento, de acordo com o relatório.

“Para isso seria necessário, num espaço de tempo reduzido, diminuir a dependência de bens importados e/ou beneficiar de um cenário de taxa de câmbio mais benigno, ultrapassar questões estruturais relacionadas com a importação e escoamento de bens nas alfândegas”, refere.

Também não é de excluir que ao longo do ano o governo reduza os subsídios, no âmbito de “uma política fiscal mais disciplinada”, o que teria impacto sobre os preços.

A nível orçamental, a melhor situação económica deverá ter um impacto positivo, com o aumento da receita fiscal, principalmente relacionada com a actividade petrolífera, que representa perto de 70 por cento da colecta.

Quanto à despesa, os dados do Orçamento de Estado para 2011 apontam para uma estabilização, “reforçando a ideia de que o crescimento do sector não-petrolífero dependerá pouco do investimento público, mais centrado apenas em projectos prioritários, e mais do investimento privado”, refere o BPI.

A melhoria das contas públicas deverá traduzir-se num saldo orçamental positivo de 2,0 por cento, que segundo o FMI poderá mesmo atingir 3,9 por cento.

Segundo o BPI, as autoridades angolanas “deverão continuar a privilegiar a estabilidade cambial” ao longo deste ano.

As reservas cambiais têm vindo a recuperar gradualmente do mínimo de Janeiro de 2010, registando-se em Dezembro um acréscimo de 40 por cento face ao início do ano e, nos próximos meses, o montante de reservas deverá ser suportado pelo comércio externo, adianta o BPI.

“Para este ano, o desafio que se coloca às autoridades angolanas consiste em assegurar uma política fiscal que permita caminhar no sentido da promoção do equilíbrio do saldo orçamental não-petrolífero, sem descurar a aposta no investimento em infra-estruturas e unidades produtivas”, adianta.

Ao mesmo tempo, refere o BPI, Luanda terá de assegurar a “acumulação da reservas internacionais e o plano de pagamentos das dívidas às empresas estrangeiras privadas a operar no país”, para o que conta com perspectivas petrolíferas favoráveis e crescimento económico na Ásia e América Latina, destino de 40 por cento das exportações. (macauhub)

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